Há dois anos exercendo o cargo de coordenador geral do campus UFPA Ananindeua, o professor Alcy Favacho Ribeiro comemora o início das obras do novo campus da UFPA, em execução desde o final do ano passado. O novo espaço ficará localizado no bairro do Icuí e abrigará uma série de cursos e especializações da universidade. Funcionando nos últimos anos em um prédio alugado na Cidade Nova, o campus conseguiu chamar atenção com bons resultados, esforço conjunto de um corpo docente altamente qualificado, como o coordenador gosta de destacar.

Em entrevista concedida para O Liberal Ananindeua, Alcy falou sobre as conquistas e os novos desafios que irão surgir com o novo campus. A expectativa é alta: transformar o ensino superior a partir de Ananindeua.

Confira:

A construção do campus UFPA Ananindeua surgiu a partir de qual necessidade?

Nós temos um corpo docente muito qualificado e que precisa de estrutura para continuar o trabalho. Mais de 90% dos nossos docentes têm mestrado, 60% têm doutorado. Com esse panorama temos capacidade de conseguir fomentos para muitos projetos, mas precisávamos de um local adequado para esses professores qualificados. A UFPA Ananindeua tem dois cursos de pós-graduação, oito de graduação, além dos dois tecnológicos e duas engenharias. Atualmente nós estamos instalados em uma um prédio alugado na Cidade Nova e nesse prédio não tem como expandir mais. Precisamos continuar crescendo e oferecendo um bom serviço à sociedade, e foi a partir daí que surgiu a necessidade.

O que a nova gestão desse campus espera do novo governo federal?

Esperamos ter a possibilidade de ter mais cursos. Nossos cursos têm o mínimo de vagas possíveis e precisamos ofertar mais. Essa é nossa principal lacuna hoje. Hoje nós temos três cursos, o de química, física e engenharia de energia, todos com um número ínfimo de vagas. Então esperamos que, além da possibilidade de novos prédios, também venha o aumento do número de vagas e docentes também. É uma esperança não minha, mas de todo o corpo acadêmico do campus.

De que forma a gestão do novo campus enfrentará os obstáculos da educação pública e de qualidade frente ao cenário político e econômico que têm afetado a Educação brasileira?

A maioria dos docentes são formados em escolas e universidades públicas. Então, estamos acostumados com esses desafios, que acontecem a todo instante e estão sempre ligados a cenários políticos que nós passamos, as vezes favoráveis e outras desfavoráveis. Aprendemos com todos. Passamos por um cenário muito difícil que foi pandemia e um governo que não priorizava a Educação. Superar esse período, talvez, seja nosso principal desafio pela frente nos próximos anos e pretendemos superar da forma que estamos trabalhando, lutando pelo Ensino Superior e pela Educação em geral.

Quais são os desafios para o aprofundamento das políticas do novo campus?

A nossa gestão é muito democrática, muito participativa. Então nosso trato político é feito sem bandeiras, mas logicamente que nós temos como princípio sempre defender a universidade pública com qualidade inclusiva e diversificada. Então nós vamos estar abraçando e aprofundando o debate com todos. Os desafios são muitos, não dá para enumerar todos, mas precisamos enaltecer a qualidade de nossos alunos, que de certa forma é o nosso produto final. Tendo um bom resultado, como sempre tivemos, faz com que superemos qualquer desafio que venha a surgir.

Nos últimos anos, um dos principais temas que mobilizam o debate sobre a UFPA é a integração da universidade com a sociedade. Quais estratégias a nova gestão traçará para aproximar os moradores de Ananindeua do novo campus?

Desde o início dedicamos máximo esforço nisso. Dois exemplos dessa integração é o projeto coordenado pelo técnico Paulo Coutinho, que integra a sociedade em torno da área da Granja do Governador do para atividades de cunho ambiental. São centenas de alunos que vão ter palestras e várias atividades ao longo do ano, e também destaco o Cursinho Popular coordenado pela professora Luciana Gonzalez. São muitos jovens de Ananindeua que começam a se interessar no ingresso no ensino superior, e muito devido a estas iniciativas.

 

Fonte: O Liberal
Foto: arquivo pessoal