A esperança dos pilotos em conseguirem uma mudança nos carros de 2022 para erradicar o porpoising parece mais distante após o surgimento de uma informação de que as equipes da Fórmula 1 já rejeitaram uma proposta do tipo ainda no ano passado.

Nas últimas corridas, vem crescendo a irritação dos pilotos sobre os impactos físicos e riscos da exposição contínua ao porpoising, ganhando outro patamar no GP do Azerbaijão, com o assunto sendo trazido na reunião dos pilotos.

George Russell, diretor da Associação de Pilotos de Grande Prêmio, teria pedido diretamente à FIA sobre uma solução, expressando abertamente suas preocupações sobre as implicações de segurança que o fenômeno traz.

“Acho que é apenas uma questão de tempo até vermos um grande incidente. Muitos de nós mal conseguem manter o carro em linha reta com essas ondulações”.

Mas enquanto outros pilotos compartilham da preocupação, nem todas as equipes acreditam que seja necessário algo drástico a curto prazo, especialmente pelo fenômeno afetar o grid em diferentes graus.

Surgiu a informação de que, no ano passado, em meio a discussões sobre o carro de 2022, foi apresentada uma proposta para reverter os riscos do porpoising. Foi apurado que, com as equipes sabendo que teriam que colocar os carros próximos ao chão, a ideia de erradicar as quicadas foi discutida.

Mas a proposta, que envolvida diversas questões técnicas, incluindo uma altura mínima do carro, não recebeu o apoio necessário para aprovação. Mas enquanto as equipes não viram lá a importância de algo do tipo, as declarações dos pilotos coloca novamente o caso sob os holofotes.

“Muitos de nós mal conseguem manter o carro na reta com essas quicadas. Estamos fazendo as últimas duas curvas a mais de 300 por hora, quicando. É visível o quão próximo do asfalto os carros estão”

Photo by: Steve Etherington / Motorsport Images

Andreas Seidl, chefe da McLaren, concordou que a “brutalidade” do porpoising faz com que a discussão com a FIA seja necessária. Mas enfatizou que, na verdade, qualquer equipe pode ser livrar instantaneamente do problema ao levantar a altura dos carros, algo que viria com uma perda de performance.

“Entendemos a severidade do que vemos em alguns carros, é brutal aos pilotos, e é por isso que é justo discutir isso no Comitê Técnico, para ver faz sentido resolver. Mas, ao mesmo tempo, uma equipe sabe como resolver isso imediatamente”.

Toto Wolff, da Mercedes, disse que a situação não é tão simples, sentindo importante entender porque alguns carros sofrem mais do que outros.

“Acho que temos carros que não sofrem e outros que claramente sofrem. Posso falar pelos meus pilotos: eles têm problemas, e chega a um ponto em que nem a fisioterapia consegue solucionar. Então precisamos ver como isso se desenvolve, entendendo porque alguns sofrem mais”.

Mattia Binotto da Ferrari, não acreditava que os carros atuais seriam particularmente problemáticos de guiar, e disse que é preciso mais tempo para entender a questão.

“Se olharmos para a F1, não acho que sejam os menos confortáveis para guiar, em termos de categorias de monopostos. É um desafio para os pilotos, sem dúvidas. Mas ainda acho que esses carros sejam confortáveis de guiar, com um desafio técnico. Se olharmos para nós mesmos, já progredimos e podemos seguir evoluindo. Certamente é cedo demais para julgar”.

Fonte: UOL
Foto: Motorsport