O técnico Hélio dos Anjos procurou afastar palavras como “gana” e “raça” como as responsáveis pela vitória do Paysandu por 2 a 1 diante do Remo, na quarta-feira, no primeiro jogo da final do Campeonato Paraense. De acordo com ele, a imposição técnica do Papão foi decisiva para o resultado de virada.

– Acho que nós iríamos ficar chorando se esse jogo não terminasse dessa forma por tudo o que nós apresentamos. O nosso início foi contundente, o adversário cresceu em um jogo de virilidade, por agrupar a segunda bola, mas estávamos equilibrados no momento em que levamos o gol. Tinha chamado a atenção do meu time que tínhamos parado de ser incisivos, minha saída começou a ficar lenta e isso deu chance pro adversário nos complicar. Antes das substituições estávamos tendo qualidade técnica e de imposição, só não em condição de enfiar dentro do adversário. As substituições deram esse reforço. Não tenho esse jogo só como raça e garra.

“O Remo foi muito forte, competitivo e nós, acima de tudo, fomos uma equipe dentro da nossa filosofia de jogo, incisiva, técnica e buscando o resultado o tempo todo. Se não conseguimos antes, foi pela qualidade do Remo”.

O treinador procurou valorizar os jogadores que entraram no segundo tempo e foram decisivos, como o atacante Uilliam e o lateral-direito Netinho, autores dos gols da vitória, mas também destacou o time que iniciou como titular.

– O Uilliam fez um gol, o Netinho o outro. Dois jogadores que entraram no decorrer. Achei que o Serginho alimentou muito bem, foi a melhorar entrada dele desde quando chegou aqui, foi vertical, fez com que o nosso time crescesse. Jogar um lateral como o Dieguinho no final do jogo, dando a ele 20, 30 minutos é duro de aguentar o volume. (…) Acho que respondemos bem e muito melhor, naturalmente, com as substituições, mas nada que, pra mim, também não fosse decisivo o comportamento da equipe o tempo todo.

“No jogo passado eu era burro, louco. A substituição boa é a que dá certo, a que dá a vitória. O time, em um todo, correspondeu bem.

Hélio dos Anjos, porém, não garantiu que os atletas que entraram no decorrer do clássico terão lugar cativo na volta contra o maior rival, nem Uilliam Barros, que vem pedindo passagem na vaga de Matheus Anderson.

– A minha equipe é escalada de dentro pra fora. Não vou ficar vivendo de “pressãozinha” de que o time tem que mudar. Vou definir isso no decorrer dos próximos dias. A equipe que iniciou também é qualificada. Se nós não tivéssemos tomado o gol daquela forma acidental, teríamos um segundo tempo de imposição melhor, mesmo com o time que iniciou.

“Sou tranquilo com isso. Não é porque vai ficar durante a semana “Uilliam”, “não sei quem”… Temos um padrão e espero manter. Depois, uma peça ou outra pode acontecer na escalação”.

Para o jogo de volta, marcado no próximo domingo, a partir das 17h, no Mangueirão, novamente com acompanhamento em Tempo Real pelo ge Pará, o Paysandu joga pelo empate contra o Remo para garantir o caneco estadual. Hélio negou que o Lobo bicolor jogará pelo resultado e disse que o desafio é evitar qualquer clima de oba oba antes da decisão do final de semana.

– Se eu fizer isso, vou contra todos os princípios de jogo do Paysandu desde quando cheguei. Vou jogar, o adversário também vai e isso tem que se respeitar. Vamos buscar o melhor dentro da partida. Se daqui a pouco, aos 48 minutos do segundo tempo eu precisar do regulamento, vou usar, mas não quero entrar em campo usando desde o primeiro minuto, pois não é a minha característica de jogo.

“Espero que tenhamos o equilíbrio necessário para enfrentar, principalmente, a empolgação, que em um momento como esse não é nada boa. Por isso o meu grupo vai ficar tranquilo, voltado pra decisão de domingo”.

Fonte: G1
Foto: Jorge Luiz/Paysandu