A PF realizou na manhã desta quarta uma operação, batizada de Para Bellum, que mira irregularidades na compra de respiradores hospitalares pelo estado do Pará.

Sem entrar no mérito das acusações, mais nova investida da PF de Bolsonaro contra um governador que demonstrou clara oposição às políticas de combate ao coronavírus promovidas pelo governo federal gera mais dúvida quanto à autonomia do órgão.

O temor é de que o presidente utilize a PF para seus ganhos pessoais e políticos, perseguindo adversários e desafetos. A preocupação, que já era justificada por conta do relato do ex-ministro Sergio Moro de que Bolsonaro teria tentado interferir em ações que envolviam seus filhos, e pelas suspeitas declarações da deputada Carla Zambelli, que antecipou que haveria ataques da PF contra governos estaduais, se intensifica com as operações contra Wilson Witzel e Helder Barbalho.

No caso do governador paraense, a estranheza é ainda maior, já que o contrato de compra dos respiradores foi cancelado, o dinheiro pago devolvido aos cofres públicos e os empresários envolvidos processados pelo governo do estado.

 

Foto: Divulgação/Polícia Federal